A publicação de uma nova resolução que atualiza os critérios para a prescrição de medicamentos por enfermeiros representa um avanço importante na organização das práticas de saúde no Brasil. O texto normativo estabelece parâmetros mais claros para a atuação desses profissionais, reforçando a necessidade de que o procedimento esteja sempre vinculado ao Processo de Enfermagem e às rotinas previamente definidas nos serviços de saúde. A medida busca reduzir interpretações divergentes e oferecer maior segurança jurídica tanto para os profissionais quanto para as instituições.
A norma não cria uma atribuição inédita, mas consolida entendimentos já previstos em legislações anteriores que autorizam a prescrição dentro de programas de saúde pública e protocolos institucionais. Ao reunir essas diretrizes em um único documento, o conselho responsável pretende padronizar práticas que já ocorrem, principalmente na atenção básica, onde o enfermeiro desempenha papel central no acompanhamento contínuo de pacientes e na organização do cuidado.
Um dos pontos centrais da resolução é a exigência de critérios técnicos bem definidos para a prescrição, incluindo a necessidade de avaliação clínica adequada, registro detalhado no prontuário e observância de protocolos baseados em evidências científicas. A iniciativa reforça a importância da responsabilidade profissional e da tomada de decisão fundamentada, afastando a ideia de que a prescrição possa ocorrer de forma automática ou desvinculada do contexto assistencial.
O texto também destaca que a prescrição deve estar integrada ao trabalho multiprofissional, respeitando os limites de atuação de cada categoria da saúde. Dessa forma, a resolução busca fortalecer a cooperação entre profissionais, evitando conflitos de atribuições e assegurando que o cuidado ao paciente seja conduzido de maneira coordenada, segura e eficiente, especialmente em unidades que atendem grande volume de usuários.
Outro aspecto relevante é a regulamentação das informações que devem constar na prescrição, como dados do paciente, identificação do profissional, descrição clara do medicamento e orientações de uso. Esse cuidado com a formalização do processo contribui para maior transparência, facilita a fiscalização e reduz riscos associados a erros de medicação, um dos principais desafios enfrentados pelos serviços de saúde.
A resolução também acompanha a modernização dos sistemas de saúde ao admitir o uso de meios digitais para a emissão de prescrições, desde que atendidos critérios de segurança e autenticidade. A medida está alinhada à expansão dos prontuários eletrônicos e à digitalização dos atendimentos, ampliando a eficiência dos serviços e facilitando o acesso às informações clínicas de forma integrada.
Especialistas avaliam que a atualização das regras tende a ampliar a resolutividade dos atendimentos, sobretudo em regiões onde há escassez de médicos e a presença do enfermeiro é fundamental para garantir o acesso da população aos cuidados básicos. Ao oferecer respaldo normativo, a resolução contribui para reduzir atrasos no início de tratamentos e fortalecer a atenção primária como porta de entrada do sistema de saúde.
Com a consolidação dessas diretrizes em âmbito nacional, espera-se maior uniformidade na atuação profissional e redução de inseguranças jurídicas que historicamente cercaram o tema. A iniciativa reforça o reconhecimento do papel estratégico da enfermagem no cuidado à saúde e sinaliza um movimento de valorização técnica e institucional desses profissionais dentro do sistema de saúde brasileiro.
Autor: Oleg Volkov
