Mascaramento social no autismo é um fenômeno cada vez mais discutido na saúde mental e na neurociência comportamental. Logo no início dessa análise, é relevante destacar que, conforme observa Alexandre Costa Pedrosa, muitas pessoas no espectro aprendem desde cedo a ocultar traços autísticos para se adaptar a expectativas sociais. Esse esforço contínuo, embora muitas vezes invisível, costuma gerar impactos profundos no bem-estar emocional ao longo da vida.
Em contextos familiares, escolares e profissionais, o mascaramento é frequentemente interpretado como sinal de adaptação bem-sucedida. Entretanto, ao analisar o funcionamento psicológico envolvido, percebe-se que essa estratégia pode ter custos elevados para a saúde mental.
O que é mascaramento social no autismo?
O mascaramento social consiste em suprimir comportamentos naturais e imitar padrões considerados socialmente aceitáveis. Na avaliação de pesquisadores da área, isso inclui forçar contato visual, controlar movimentos repetitivos e ajustar respostas emocionais. Em sua experiência clínica, Alexandre Costa Pedrosa aponta que esse comportamento não surge por escolha consciente, mas como resposta à necessidade de pertencimento.
Desde a infância, muitos autistas percebem que agir de forma espontânea resulta em rejeição ou punição social. Diante disso, passam a observar, copiar e ensaiar comportamentos para evitar conflitos. Com o tempo, esse processo se torna automático, dificultando até mesmo o reconhecimento da própria identidade.
Consequências psicológicas do mascaramento contínuo
O mascaramento social exige esforço cognitivo e emocional constante. Sob a ótica de Alexandre Costa Pedrosa, manter essa vigilância permanente sobre si mesmo gera fadiga mental significativa. Esse desgaste prolongado está associado a quadros de ansiedade, depressão e esgotamento emocional.
Além disso, a desconexão entre o que se sente e o que se demonstra pode provocar confusão interna. Muitas pessoas relatam sensação de vazio, perda de identidade e dificuldade em reconhecer limites pessoais. Como analisa Alexandre Costa Pedrosa, o risco aumenta quando o mascaramento se estende por anos sem espaços de autenticidade.

Outro efeito relevante envolve o diagnóstico tardio. Indivíduos que mascaram com eficácia tendem a passar despercebidos, especialmente mulheres e adultos. Essa ausência de reconhecimento dificulta o acesso a suporte adequado, intensificando o sofrimento psicológico.
O impacto do mascaramento nas relações sociais
Embora o mascaramento tenha como objetivo facilitar a convivência, ele pode gerar relações superficiais. Ao atuar constantemente, a pessoa autista sente que não é verdadeiramente conhecida. Na leitura de Alexandre Costa Pedrosa, esse distanciamento emocional compromete vínculos e reforça sentimentos de solidão.
Em ambientes profissionais, o esforço para manter uma imagem socialmente aceitável pode resultar em queda de desempenho e burnout. Já no âmbito familiar, a falta de compreensão sobre o cansaço emocional pode levar a cobranças inadequadas, agravando o quadro.
Caminhos de acolhimento e redução do mascaramento
Reduzir os efeitos do mascaramento social no autismo exige mudança de perspectiva. Em primeiro lugar, é necessário validar a experiência autista sem exigir conformidade constante. Ambientes previsíveis, respeitosos e sensorialmente ajustados favorecem a autenticidade.
Na prática clínica, Alexandre Costa Pedrosa ressalta a importância de espaços seguros onde a pessoa possa expressar comportamentos naturais sem julgamento. Terapia especializada, grupos de apoio e psicoeducação ajudam no resgate da identidade e no fortalecimento da autoestima.
Além disso, informar familiares, educadores e gestores sobre o mascaramento contribui para relações mais empáticas. Quando o entorno compreende que adaptação excessiva gera sofrimento, torna-se possível ajustar expectativas e promover inclusão real.
A importância da aceitação para a saúde mental
Aceitar a neurodivergência implica reconhecer que não há um único modelo válido de interação social. Ao permitir que pessoas autistas sejam quem são, reduz-se a necessidade de mascaramento e seus efeitos nocivos. Esse movimento beneficia não apenas o indivíduo, mas toda a sociedade.
Com acolhimento adequado, o mascaramento deixa de ser uma exigência diária. Assim, abre-se espaço para uma vida mais autêntica, com maior equilíbrio emocional e relações mais verdadeiras. Reconhecer e respeitar essa realidade é um passo essencial para promover saúde mental e inclusão efetiva.
Autor: Oleg Volkov
