Nos últimos anos, o Brasil tem assistido a uma rápida expansão no número de cursos de Medicina, um fenômeno que, embora inicialmente pareça positivo, traz consigo uma série de preocupações. Dr. Bernardo, deputado estadual do PSDB, se manifestou sobre essa questão em um pronunciamento na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte, alertando para os riscos da criação indiscriminada desses cursos e seus impactos diretos no Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo ele, o crescimento acelerado dos cursos de medicina no Brasil não tem sido acompanhado da devida atenção à qualidade da formação, o que pode prejudicar, principalmente, os pacientes atendidos pelo SUS, que são em sua maioria pessoas de baixa renda.
A criação indiscriminada de cursos de Medicina no Brasil tem gerado um debate crescente sobre a qualidade da formação dos futuros médicos. Dr. Bernardo expressou sua preocupação com a falta de critérios rígidos e bem definidos para a criação desses cursos, um cenário que, segundo ele, pode comprometer o atendimento à saúde pública. Embora reconheça a necessidade de mais profissionais na área médica, o parlamentar destaca que a expansão desordenada dos cursos pode resultar em médicos mal formados, com habilidades deficientes para lidar com a complexidade do atendimento no SUS. Essa situação, de acordo com o deputado, pode agravar ainda mais a crise no sistema de saúde pública do país.
O aumento no número de processos por erros médicos é um dos principais pontos que sustentam a preocupação de Dr. Bernardo. Em seu discurso, ele apontou que, entre 2023 e 2024, o Brasil registrou um aumento de 506% nos processos relacionados a erros médicos, um dado alarmante que revela as deficiências na formação dos profissionais da saúde. O deputado sugere que essa alta nos processos está diretamente ligada à falta de um processo formativo de qualidade, algo essencial para garantir a competência dos médicos e a segurança dos pacientes, especialmente em unidades de saúde que atendem as camadas mais vulneráveis da população.
Ao abordar a questão da formação médica, Dr. Bernardo fez uma comparação entre o cenário atual e o passado, destacando que, há algumas décadas, os cursos de medicina eram mais exigentes e buscavam não apenas a transmissão de conhecimento, mas também a formação de médicos com vocação. Ele defende que a verdadeira essência da medicina vai além do aprendizado técnico, e que os estudantes precisam ser preparados para atuar de forma ética, humana e com o compromisso de atender a sociedade da melhor maneira possível. Para ele, a formação médica não pode ser reduzida a uma mera obtenção de diplomas, mas sim um processo de amadurecimento profissional e pessoal.
Um exemplo do que Dr. Bernardo considera como um avanço irresponsável foi a notícia de um vestibular de medicina realizado online por uma universidade de Pernambuco, algo que ele classificou como alarmante. A ideia de realizar exames de seleção para cursos de medicina sem a devida regulamentação e acompanhamento de sua qualidade pode resultar em um número crescente de profissionais despreparados, o que comprometeria diretamente a saúde pública do país. Esse tipo de prática, segundo o deputado, pode ser descrito como uma forma de “mercantilização” da profissão médica, onde a quantidade prevalece sobre a qualidade.
É importante destacar que a criação de cursos de medicina, para ser eficaz, deve ser baseada em critérios rigorosos que assegurem a formação de médicos qualificados e comprometidos com o bem-estar da população. O aumento no número de cursos de medicina precisa ser acompanhado por um fortalecimento das estruturas pedagógicas e práticas, além de uma fiscalização rigorosa por parte dos órgãos competentes. Caso contrário, a criação indiscriminada de cursos pode colocar em risco a qualidade do atendimento médico no Brasil, afetando diretamente a saúde das pessoas, especialmente aquelas que dependem exclusivamente do SUS para o atendimento médico.
A preocupação de Dr. Bernardo não se restringe apenas ao aumento do número de cursos, mas também à falta de um planejamento adequado para garantir a distribuição de médicos em áreas carentes. A formação de médicos deve ser pensada de maneira estratégica, levando em consideração as regiões mais necessitadas, onde a carência de profissionais é ainda mais evidente. Para o deputado, é necessário um equilíbrio entre o aumento na oferta de cursos e a garantia de que esses profissionais estarão preparados para enfrentar os desafios impostos por uma população que necessita de cuidados médicos adequados.
Diante desse cenário, Dr. Bernardo fez um apelo aos legisladores para que tomem medidas urgentes e responsáveis no combate à criação indiscriminada de cursos de medicina. Ele enfatizou que, embora o Brasil precise urgentemente de mais médicos, isso não pode ser alcançado de forma irresponsável e sem a devida preocupação com a qualidade da formação. O deputado conclui que é fundamental que o Brasil avance na criação de cursos de medicina, mas com responsabilidade, assegurando que os novos médicos atendam aos altos padrões exigidos pela profissão, para que possam, de fato, contribuir para a melhoria da saúde pública no país.
Autor: Oleg Volkov
Fonte: Assessoria de Comunicação da Saftec Digital