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Medicina no Brasil Notícias > Blog > Medicina > Terapia experimental mostra resultados promissores contra forma difícil de tratar de câncer no sangue
Medicina

Terapia experimental mostra resultados promissores contra forma difícil de tratar de câncer no sangue

Elisa Marvani
Elisa Marvani 25 de setembro de 2026
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Tratamento experimental baseado em células CAR-T apresentou respostas profundas e duradouras em pacientes com mieloma múltiplo de difícil tratamento, mas os resultados ainda precisam ser confirmados em estudos maiores

Contents
Terapia CAR-T é testada contra mieloma múltiploComo funciona a tecnologia CAR-TEstudo registra respostas em pacientes com doença difícilMieloma múltiplo continua sendo um desafio para a medicinaPróximas etapas da pesquisaFonte:

Terapia CAR-T é testada contra mieloma múltiplo

Uma terapia experimental baseada na tecnologia CAR-T apresentou resultados promissores em pacientes com mieloma múltiplo difícil de tratar ou que havia retornado após tratamentos anteriores. Os dados foram divulgados em 25 de setembro de 2026 e fazem parte de um estudo inicial conduzido com uma terapia desenvolvida pela Gilead Sciences. Os resultados foram publicados no New England Journal of Medicine, segundo a Reuters. (Reuters)

A terapia CAR-T utiliza células do próprio sistema imunológico do paciente. Essas células são retiradas do organismo, modificadas geneticamente em laboratório para reconhecer determinadas características das células cancerígenas e posteriormente devolvidas ao paciente. O objetivo é fazer com que o sistema imunológico consiga identificar e atacar as células do câncer.

No caso do mieloma múltiplo, a estratégia está sendo estudada principalmente para pacientes que já passaram por diferentes linhas de tratamento e apresentam doença recorrente ou resistente. Esse grupo representa um dos maiores desafios da oncologia, porque as células tumorais podem continuar evoluindo mesmo depois de terapias anteriores.

Os resultados agora divulgados são considerados iniciais. O estudo foi realizado em fase 1, etapa que tem como objetivo principal avaliar segurança, tolerabilidade e características iniciais do tratamento. Por isso, os dados ainda não são suficientes para estabelecer definitivamente a eficácia da terapia ou determinar seu lugar no tratamento padrão da doença. (Reuters)

Como funciona a tecnologia CAR-T

A terapia CAR-T pertence ao grupo das imunoterapias celulares e utiliza células de defesa do próprio paciente para combater o câncer. Depois da coleta, os linfócitos T passam por um processo de modificação genética para receber um receptor artificial capaz de reconhecer um alvo presente nas células tumorais.

Após a modificação, as células são multiplicadas em laboratório e posteriormente administradas novamente ao paciente. A intenção é criar uma população de células de defesa preparada para localizar as células malignas e destruí-las.

Essa abordagem já vem sendo utilizada em diferentes tipos de câncer do sangue e continua sendo estudada para ampliar o número de pacientes que podem se beneficiar da tecnologia. No mieloma múltiplo, pesquisadores buscam melhorar a duração das respostas e ampliar a eficácia em pessoas cuja doença voltou ou deixou de responder a tratamentos anteriores.

A principal diferença em relação a medicamentos convencionais é que a CAR-T funciona como uma terapia celular personalizada. Em vez de simplesmente administrar uma substância para agir sobre o tumor, o tratamento modifica células do próprio paciente para desempenharem uma função específica contra o câncer.

Estudo registra respostas em pacientes com doença difícil

De acordo com os resultados apresentados, a terapia experimental produziu respostas profundas e duradouras entre participantes com mieloma múltiplo de difícil tratamento ou recorrente. O resultado chama atenção porque esses pacientes normalmente já passaram por múltiplas terapias e podem apresentar poucas alternativas disponíveis. (Reuters)

Ainda assim, é necessário interpretar os resultados dentro do contexto do estudo. Ensaios de fase 1 envolvem grupos relativamente pequenos e são realizados principalmente para avaliar segurança. Mesmo quando aparecem respostas importantes contra a doença, os pesquisadores precisam acompanhar os pacientes por mais tempo e testar a terapia em grupos maiores.

Os resultados também precisam ser comparados com tratamentos já disponíveis. Estudos posteriores podem avaliar a terapia em diferentes linhas de tratamento, além de investigar quais perfis de pacientes apresentam maior benefício e quais características da doença podem influenciar a resposta.

A continuidade da pesquisa será importante para determinar se os resultados observados na primeira etapa conseguem se repetir em estudos mais amplos. A Reuters ressalta que os resultados promissores precisam de confirmação em ensaios maiores. (Reuters)

Mieloma múltiplo continua sendo um desafio para a medicina

O mieloma múltiplo é um câncer que afeta células plasmáticas, um tipo de célula do sistema imunológico responsável pela produção de anticorpos. A doença pode provocar alterações nos ossos, anemia, problemas renais e outras complicações, dependendo da evolução e das características de cada paciente.

Embora os tratamentos tenham avançado, algumas pessoas desenvolvem resistência após sucessivas linhas terapêuticas. Quando o câncer retorna ou deixa de responder aos medicamentos utilizados anteriormente, encontrar novas estratégias torna-se uma prioridade para a pesquisa médica.

É nesse cenário que terapias celulares e imunoterapias vêm ganhando espaço na oncologia. A CAR-T representa uma das abordagens pesquisadas para tentar aproveitar o próprio sistema imunológico do paciente no combate às células tumorais.

No entanto, novas terapias precisam passar por diferentes etapas de investigação antes de serem consideradas opções consolidadas. Além da eficácia, os estudos precisam avaliar efeitos adversos, duração das respostas, segurança a longo prazo, fabricação das células e viabilidade de utilização em diferentes sistemas de saúde.

Próximas etapas da pesquisa

A divulgação dos resultados abre espaço para novas etapas de investigação da terapia experimental. Como se trata de um estudo inicial, pesquisas posteriores deverão envolver um número maior de participantes e fornecer informações adicionais sobre a eficácia e a segurança do tratamento.

Os pesquisadores também poderão avaliar quanto tempo as respostas permanecem, quais pacientes apresentam maior benefício e como a terapia pode ser utilizada em diferentes momentos do tratamento do mieloma múltiplo.

Outro ponto importante será compreender os possíveis riscos associados à terapia celular. Tratamentos CAR-T podem apresentar efeitos adversos específicos relacionados à ativação do sistema imunológico, o que exige acompanhamento médico especializado.

Por enquanto, portanto, os dados representam uma etapa de pesquisa e não significam que a terapia experimental já seja um novo tratamento disponível de forma ampla. Os próximos ensaios serão fundamentais para verificar se os resultados iniciais se mantêm em uma população maior de pacientes. (Reuters)

Fonte:

Reuters — Genetic discovery yields clues toward reversal of Alzheimer’s brain damage; Gilead therapy shows promise in multiple myeloma trial

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