De acordo com Parajara Moraes Alves Junior, a primeira constatação que se pode fazer em relação à Reforma Tributária no setor agro é de que o produtor que não otimizar sua gestão de compras verá um aumento direto em seus custos de produção. A nova configuração de IVA (IBS e CBS) muda drasticamente a forma como os insumos são tratados, convertendo impostos que antes eram “custo perdido” em créditos financeiros.
Como aponta o consultor especializado em planejamento tributário, sucessório e patrimonial rural, a lucratividade da safra dependerá da habilidade da fazenda em reaver esses tributos com notas fiscais perfeitamente elaboradas. Continue lendo para descobrir como adequar o seu planejamento tributário rural e impedir que a carga de impostos consuma suas margens de lucro nos próximos anos.
Como o novo sistema de créditos altera o custo do insumo?
No antigo sistema de tributos, diversos impostos que incidiram na compra de fertilizantes, sementes e defensivos agrícolas se somavam ao custo final do produto, sem que o produtor rural pessoa física tivesse como recuperar integralmente esses valores. Como considera Parajara Moraes Alves Junior, a principal inovação trazida pela Reforma Tributária é a implementação da não cumulatividade plena.
Isso significa que o IBS (estadual/municipal) e a CBS (federal) pagos na compra de insumos geram um crédito que pode ser usado para abater o imposto devido na venda da produção ou, em certos casos, ser ressarcido em dinheiro. No entanto, esse benefício exige uma contrapartida de organização administrativa rigorosa.

Quais os riscos da manutenção do modelo atual frente à Reforma?
O produtor rural que ignorar as mudanças trazidas pela Reforma Tributária corre o risco de enfrentar um aumento significativo da carga tributária e perder competitividade no agronegócio. Como sugere Parajara Moraes Alves Junior, o grande diferencial do novo sistema estará na capacidade de gerir corretamente os créditos de IBS e CBS, exigindo uma contabilidade rural extremamente organizada e profissional.
Sem controle fiscal eficiente, a fazenda pode acumular créditos não aproveitados, comprometendo o fluxo de caixa justamente em períodos estratégicos, como plantio, aquisição de máquinas ou expansão da produção. A transparência fiscal deixa de ser apenas uma obrigação legal e passa a ser um fator decisivo para a sustentabilidade financeira da operação rural.
O papel da tecnologia na gestão de custos tributários
Com tanta complexidade, não há como escapar do uso de tecnologia na contabilidade rural. Como constata Parajara Moraes Alves Junior, para que nenhum crédito seja perdido por erro humano, é imprescindível que o recebimento das notas fiscais seja automatizado e que haja uma integração com o LCDPR. O contador do agronegócio atual precisa agir como um analista de dados, localizando pontos em que o imposto está “vazando” e recomendando modificações no mix de compras para otimizar a eficiência tributária da propriedade.
A nova realidade também atinge a sucessão no agro, uma vez que os sucessores não herdarão apenas terras, mas um intrincado sistema de créditos e débitos tributários. Por fim, é crucial que a próxima geração esteja preparada para administrar a fazenda como uma empresa que seja fiscalmente eficiente. Esse legado de prosperidade no campo agora se reflete na tecnologia da informação e na precisão dos relatórios contábeis, que asseguram que o custo de produção não se descontrole em meio às incertezas da transição econômica do Brasil.
Os custos de produção na nova era fiscal
A Reforma Tributária no agro apresenta oportunidades para o produtor organizado reduzir custos e representa riscos sérios para quem não está informado. Como resume Parajara Moraes Alves Junior, o sucesso na nova era fiscal depende de um planejamento tributário rural que entenda a fundo a sistemática de créditos do IBS e da CBS. Para que a margem de lucro da terra continue a ser garantida, a eficiência operacional agora deverá se alinhar à conformidade contábil.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez
