A gestão diária pertence a quem entrega resultado, conforme indica o advogado Rodrigo Gonçalves Pimentel, e o princípio reúne consenso imediato entre famílias empresárias. A dificuldade aparece na etapa seguinte, porque quase nenhuma delas define por escrito o que conta como resultado entregue. Sem definição registrada, o mérito vira opinião, e opinião não sustenta decisão de cargo executivo.
O efeito prático é conhecido. Na ausência de critério objetivo, a avaliação do gestor depende de percepção, proximidade e tempo de casa. Um irmão considera injusto o desempenho do outro, e a discussão migra para o campo pessoal. A empresa perde meses em conversa que um indicador resolveria em uma única reunião de conselho.
Como o mérito entrou no vocabulário das empresas familiares?
A primeira geração raramente precisa do tema, porque fundador e gestor são a mesma pessoa e o resultado se confunde com a sobrevivência do negócio. A segunda geração já convive com mais herdeiros do que cadeiras executivas. Na avaliação do advogado Sideni Soncini Pimentel, desembargador aposentado, a pressão por critério nasce da multiplicação de interessados.
Empresas que atravessaram a terceira geração costumam ter formalizado regras de acesso a cargos antes da crise, e não durante. A exigência de formação, de experiência externa e de avaliação periódica surgiu como resposta a conflitos reais. Quem esperou o litígio para escrever a regra negociou sob pressão, com advogados contratados e operação parada.
O que significa entregar resultado em uma gestão?
Resultado não se resume a lucro no exercício, na concepção do Dr. Rodrigo Gonçalves Pimentel, especialista em estruturação patrimonial internacional. Um gestor pode elevar o lucro cortando manutenção, estoque e treinamento, e entregar ao sucessor uma empresa desidratada. A medida útil combina desempenho no período com preservação da capacidade futura, porque ambos pertencem ao mesmo patrimônio.

Por causa do risco de leitura parcial, conselhos mais maduros trabalham com indicadores em camadas. Margem e geração de caixa medem o presente. Investimento, rotatividade da equipe e participação de mercado medem a sustentação. Nenhum indicador isolado descreve uma gestão, já que cada um pode ser manipulado no curto prazo por decisões que prejudicam o ciclo seguinte.
Quais mecanismos medem desempenho sem subjetividade?
O instrumento mais usado é o contrato de gestão, com metas escritas, prazo e consequência definida, no que ressalta Rodrigo Gonçalves Pimentel, advogado especialista em estruturação patrimonial internacional. O documento registra o que será medido, quem mede e em qual periodicidade. A remuneração variável se conecta às metas registradas, e não à posição que a pessoa ocupa na família.
O acordo de sócios completa a estrutura, porque define quem pode ocupar cargo executivo, sob quais requisitos e como ocorre a saída. A previsão de destituição por desempenho evita que a discussão sobre competência se transforme em disputa societária entre herdeiros. O critério passa a existir antes do conflito, em vez de ser improvisado no meio da crise.
Quando o critério de resultado é ignorado?
A consequência costuma aparecer com atraso, o que dificulta a correção. Um gestor sem avaliação formal acumula decisões ruins por anos sem contestação interna, porque não existe instância nem métrica para apontar o desvio. Quando o prejuízo fica visível em balanço, a reversão custa caro e consome caixa de anos bons.
Empresas familiares que sustentam crescimento por décadas tratam a avaliação como rotina, e não como julgamento pessoal, no que sinaliza Rodrigo Gonçalves Pimentel. O gestor sabe o que será medido, o sócio sabe o que pode exigir e o herdeiro conhece o caminho até o cargo. Previsibilidade reduz conflito mais do que discurso sobre mérito.
Sobre os especialistas
Rodrigo Gonçalves Pimentel é advogado, empresário e sócio do Pimentel & Mochi Advogados Associados. Sua atuação envolve questões empresariais, patrimoniais, societárias e sucessórias relacionadas a empresários e famílias empresárias.
Sideni Soncini Pimentel é advogado, desembargador aposentado e integrante do Pimentel & Mochi Advogados Associados. Após uma trajetória de mais de quatro décadas na magistratura, iniciou uma nova fase profissional na advocacia, com atuação consultiva e estratégica.
