O Chevette nunca teve uma versão chamada SS, sigla que pertence historicamente ao Opala, mas isso não impediu a Chevrolet de oferecer versões esportivas do compacto ao longo de suas duas décadas de produção no Brasil. Mário Augusto de Castro, colecionador de veículos antigos, reconhece nessa confusão de nomes um equívoco comum entre entusiastas menos familiarizados com a linha completa do modelo.
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GP e GP II: os primeiros esportivos do Chevette
Lançado originalmente em 1973 como sedã de duas portas, o Chevette ganhou sua primeira versão esportiva ainda nos anos seguintes, batizada de GP. O modelo se destacava por detalhes visuais específicos, incluindo capô e parte superior dos paralamas pintados de preto, além da inscrição GP aplicada no paralama traseiro.
Concessionárias independentes também aproveitaram o sucesso do Chevette para criar suas próprias versões esportivas não oficiais durante esse período inicial de produção. A paulistana Convel, por exemplo, ofereceu entre 1976 e 1978 o Chevette 1700-C, equipado com motor de 1,7 litro e carburadores duplos Weber, capaz de atingir 160 quilômetros por hora, bem acima do desempenho das versões de fábrica disponíveis na época.
Em 1978, a linha passou por sua primeira reestilização, e a versão esportiva evoluiu para o GP II, com uma dianteira inspirada no desenho do Pontiac Firebird, irmão esportivo americano dentro do mesmo grupo General Motors. Colecionadores de curiosidades automotivas, entre os quais está Mário Augusto de Castro, costumam mencionar que exemplares do GP II chegaram a ser utilizados por pilotos da Fórmula 1 durante atividades relacionadas ao Grande Prêmio do Brasil daquele ano de disputa.
O hiato entre o GP II e o S/R
A produção do GP II foi descontinuada já em 1979, deixando o Chevette sem uma versão esportiva por um breve período de tempo. Enquanto isso, o Opala SS ganhava força como principal esportivo da marca no país, criado justamente para ocupar esse espaço dentro do catálogo da montadora.

Para Mário Augusto de Castro, essa lacuna temporária ajuda a explicar por que muita gente confunde as duas linhas até hoje: enquanto o Opala teve continuidade com a sigla SS por vários anos, o Chevette esportivo passou por interrupções e mudanças de nome ao longo de sua trajetória, o que dificulta lembrar exatamente qual versão pertence a qual período específico de produção.
S/R: o esportivo definitivo do Chevette hatch
A resposta da Chevrolet veio em 1981, com o lançamento do Chevette S/R, oferecido exclusivamente na carroceria hatch de duas portas, lançada dois anos antes junto com a perua Marajó. O S/R trazia como principal novidade mecânica o motor 1.6 litro, além de barras estabilizadoras reforçadas, entregando 80 cavalos de potência e desempenho de zero a cem quilômetros por hora em pouco mais de dezesseis segundos, números expressivos para a categoria naquele momento.
Visualmente, o S/R se destacava por pintura em dois tons com faixas degradê na lateral, faróis de milha sob o para-choque dianteiro, aerofólio na tampa traseira e bancos com desenho esportivo. Rodas de liga leve também estavam disponíveis como opcional, completando o pacote visual que diferenciava o modelo das versões comuns da linha.
O desempenho do S/R, embora modesto para os padrões atuais, representava avanço considerável em relação às versões básicas do Chevette disponíveis na época de lançamento. A velocidade máxima ficava em torno de 148 quilômetros por hora, número relevante para um compacto nacional do início dos anos 1980, especialmente quando comparado a rivais diretos disponíveis no mercado brasileiro daquele período.
Como colecionador de veículos antigos, Mário Augusto de Castro aponta 1983 como o ano em que tudo mudou novamente: a Chevrolet promoveu uma reestilização completa do Chevette, com faróis retangulares e grade em peça única, mas o S/R não sobreviveu a essa atualização visual, sendo descontinuado ainda em 1982, antes mesmo da chegada do novo design ao mercado nacional.
O legado das versões esportivas do Chevette
Apesar de sua vida curta, o S/R deixou marca entre os entusiastas do modelo, sendo até hoje o mais lembrado entre as versões esportivas oficiais do Chevette brasileiro. Concessionárias independentes também criaram suas próprias interpretações esportivas do carro ao longo dos anos, com motores ampliados e pacotes visuais exclusivos, embora sem o respaldo oficial da fábrica.
Por fim, Mário Augusto de Castro retrata que colecionadores costumam incluir essas versões alternativas em qualquer levantamento sobre a história esportiva do Chevette, já que representam parte relevante do apelo que o modelo despertou entre entusiastas de personalização ao longo de sua produção no país.
Saber diferenciar GP, GP II e S/R evita decepções na hora de negociar um exemplar, já que cada sigla corresponde a um momento específico da produção, com peças, potência e acabamento próprios. Checar ano de fabricação e detalhes técnicos antes de fechar negócio continua sendo a forma mais segura de confirmar se o carro anunciado realmente é o esportivo que promete ser.
