Levantamento do Ministério da Saúde e do IBGE começa a coletar dados em julho e deve visitar cerca de 140 mil domicílios no país.
O Ministério da Saúde e o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) deram início à terceira edição da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), levantamento que reúne informações sobre as condições de saúde da população brasileira, fatores de risco, acesso aos serviços de saúde e determinantes sociais. A coleta de dados começou em julho e deve seguir até 30 de novembro de 2026, com a visita a aproximadamente 140 mil domicílios espalhados por todo o país. A grande novidade desta edição é a inclusão, pela primeira vez, de exames de sangue e urina em parte da amostra, o que deve trazer indicadores mais precisos sobre doenças crônicas e outros agravos à saúde. Entender como funciona essa pesquisa e por que ela importa ajuda a explicar o papel que dados como esses cumprem na construção de políticas públicas de saúde no Brasil.
O que é a Pesquisa Nacional de Saúde e qual seu objetivo
A PNS é realizada pelo Ministério da Saúde em parceria com o IBGE e já está em sua terceira edição. O levantamento produz informações sobre estilos de vida, utilização dos serviços de saúde, fatores de risco e condições de saúde autorreferidas pela população, dados que depois alimentam estudos, análises e sistemas de informação voltados ao monitoramento de doenças crônicas no país. Diferente de censos ou registros administrativos, a pesquisa é feita por amostragem domiciliar, o que permite construir um retrato estatisticamente representativo da saúde dos brasileiros sem a necessidade de entrevistar toda a população.
Nesta terceira edição, a coleta de dados vai se estender de julho a novembro de 2026, com equipes visitando cerca de 140 mil domicílios em diferentes regiões do país. Esse volume de visitas garante representatividade regional, permitindo que os resultados reflitam realidades distintas, da capital ao interior, considerando diferenças de acesso a serviços de saúde, perfil socioeconômico e características demográficas de cada território. Os dados coletados servem de base para gestores públicos, pesquisadores e para o próprio planejamento de ações do Sistema Único de Saúde (SUS) nos próximos anos.
A novidade dos exames de sangue e urina e o que isso muda
Pela primeira vez na história da pesquisa, parte da amostra vai passar por coleta de exames biológicos, incluindo sangue e urina. A coleta e a análise dessas amostras contam com apoio do Hospital Israelita Albert Einstein, por meio do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS), parceria que garante estrutura técnica adequada para o processamento de um volume tão grande de material biológico. Essa mudança metodológica é significativa porque, até então, boa parte dos dados de saúde da PNS dependia da resposta autorreferida dos entrevistados, ou seja, da própria percepção da pessoa sobre sua condição de saúde.
Com a inclusão de exames laboratoriais, será possível obter indicadores mais objetivos sobre a prevalência real de condições como diabetes, alterações renais e outros marcadores metabólicos, muitas vezes silenciosos e não percebidos pelo próprio entrevistado. Esse tipo de dado ajuda a reduzir uma limitação conhecida das pesquisas domiciliares baseadas apenas em entrevistas: a subnotificação de doenças crônicas que ainda não foram diagnosticadas. Ao cruzar a percepção da população com resultados laboratoriais concretos, o Ministério da Saúde passa a ter uma visão mais completa da real situação epidemiológica do país, o que também ajuda a dimensionar melhor a demanda futura por serviços de saúde.
Qual o impacto da pesquisa para as políticas públicas de saúde
Os resultados da PNS costumam orientar decisões que vão muito além da simples produção de estatísticas. Dados sobre prevalência de doenças crônicas, acesso a serviços de saúde e determinantes sociais ajudam o Ministério da Saúde a planejar a distribuição de recursos, definir prioridades de investimento em atenção primária e especializada, e monitorar se as políticas de saúde pública em vigor estão, de fato, chegando à população que mais precisa delas. A expectativa é que a inclusão dos exames biológicos amplie ainda mais a qualidade dessas decisões, ao fornecer uma base de dados mais próxima da realidade clínica dos brasileiros.
Para os domicílios selecionados a participar da pesquisa, a orientação do Ministério da Saúde e do IBGE é de que a colaboração é voluntária, mas fundamental para garantir a representatividade dos resultados. As informações coletadas seguem protocolos de confidencialidade e são usadas exclusivamente para fins estatísticos e de planejamento em saúde pública. Vale reforçar que a participação na PNS não substitui o acompanhamento médico de rotina: mesmo quem for selecionado para os exames biológicos da pesquisa deve continuar realizando consultas e exames de acompanhamento com seu médico, já que a pesquisa tem finalidade estatística, e não diagnóstica ou terapêutica individual.
A Pesquisa Nacional de Saúde 2026 representa um passo importante para entender, com mais precisão, como vive e adoece a população brasileira. A combinação entre entrevistas domiciliares e exames laboratoriais deve gerar um retrato mais fiel da saúde do país, servindo de base para políticas públicas mais bem direcionadas nos próximos anos. Ainda assim, o levantamento não tem função clínica individual, e qualquer dúvida sobre a própria saúde deve ser sempre esclarecida diretamente com um médico ou profissional de saúde de confiança.
Fonte: Ministério da Saúde (https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias-ms/2026/julho/ministerio-da-saude-e-ibge-iniciam-terceira-edicao-da-pesquisa-nacional-de-saude)
